O MONTADO

Fatores humanos

A paisagem do Freixo do Meio é representativa da grande diversidade de vivências do projeto bem como da interação com os sistemas naturais, com o foco no que o Homem precisa e não apenas do que se pode vender, através de uma utilização dos recursos definida por limites e regras.

 
Fatores humanos

Em 1990 uma nova geração aceitou o desafio de gerir a Herdade do Freixo do Meio após a reversão da expropriação consequência da revolução de 75. Elegeu a agroecologia como ética, regressando ao agroecossistema medieval do Montado, como forma de abordar o presente e de construir o futuro.

No campo social, a experiência assentou na recriação do sentido de Comunidade e de Cooperação, através da Cooperativa de Usuários do Freixo do Meio, do Programa CSA Partilhar as Colheitas e do caminho da participação e construção coletiva da Sociocracia, promovendo diversas formas complementares de desenvolvimento.

Para a Cooperativa de Usuários do Freixo do Meio, organização que a assume a responsabilidade coletiva sobre a gestão deste ecossistema, o Montado é uma inspiração, e como todas as inspirações com um real e um imaginário. À sua maneira, é uma utopia histórica porque apesar de ser ainda de difícil exatidão, é tão possível como a nossa existência.

A Cooperativa é um espaço de cooperação, de inclusão, de desenvolvimento pessoal, de trabalho e de construção de comunidade. A sua missão assenta na exigência, na transparência, na participação democrática, no conhecimento e na inovação de um modelo de agrofloresta hoje enriquecido pelas visões da ciência, da permacultura e da soberania alimentar.

Diariamente, o objetivo é melhorar a relação da ação humana com os recursos: água, solo, biodiversidade, energia, ciência e cultura. A aposta é claramente na eficiência real dos processos e na utilização de recursos naturais, assim como na redução de resíduos e da pegada ecológica.

Uma equipa de 35 colaboradores interage com o ecossistema obtendo hoje um conjunto de mais de 300 alimentos de produção própria em agricultura biológica, transformados na herdade e distribuídos através de um modelo de produção e consumo de proximidade agroecológico, de uma loja online, e por duas lojas físicas: uma na herdade e outra na Av. De Madrid em Lisboa.

O monte da herdade conta com doze micro-agro-indústrias, um restaurante/cantina e alojamento rural.

Em termos de estratégias de gestão, o Montado do Freixo do Meio é composto por quatro tipos: uma área central de montado tradicional com 275,30 ha (47% do total) e uma gestão mais centrada na produção, uma outra área mais a sul com 138,92 ha (24%) de montado misto com uma gestão mais orientada para a conservação e para a biodiversidade, quatro áreas de produção vegetal e agroflorestas experimentais que no total perfazem 64,55 ha (11%) e uma área a norte com 105,90 ha (18%) de futuro montado, onde vão ser ensaiadas diversas técnicas de instalação e manutenção dos povoamentos com vista à minimização dos efeitos das alterações climáticas.

Além da componente produtiva e social, existe também uma forte componente experimental e demonstrativa. Nesse sentido, sempre se procurou acolher e promover diversas atividades de investigação que permitam, por um lado, validar ou contrariar as ações postas em prática e, por outro, compreender melhor as repercussões das ações realizadas nos diversos sistemas que formam este montado.

O Montado do Freixo do Meio foi e continua a ser objeto de diversos estudos, investigações, colaborações e projetos, tendo atualmente diversas parcerias com universidades e outras entidades como sejam a Universidade de Évora, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a Universidade de Coimbra e a Universidade Católica do Porto, o INIAV, etc.

 
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